A Casa Grande de Romarigães - logotipo
Programa de Atividades

Conversas na
Casa Grande

A Palavra

Uma conversa de Vitor Paulo Pereira com Ricardo Araújo Pereira.

Sábado, 29 de julho 2023 – 18h00

A Paisagem

Uma conversa de Aquilino Machado com Álvaro Domingues.

Sábado, 23 de setembro 2023 – 16h00

A Arquitetura

Uma conversa de Ricardo Pedroso de Lima com Manuel Cordeiro e Nuno Figueiras.

Sábado, 07 de outubro 2023 – 16h00

I Jornadas de Turismo Literário

Viagem pelas geografias literárias de Paredes de Coura/Alto Minho.

21 e 22 de outubro 2023

Discos não pedidos
EDITORA MNEMÓNICA

Escuta do disco “As casas: Romarigães e outras histórias” de Sofia Saldanha.

Uma conversa de Vitor Paulo Pinto e Susana Vassalo com Arnaldo Trindade.

Sábado, 11 de novembro 2023 – 16h00

A Casa Grande de Romarigães

Uma paisagem da escrita do tempo

“Para o ano, por esta altura, voltarão as aves a cantar. Que chova, que faça um sol radioso, com o mundo vegetal pletórico de seiva ou mais aganado, à triste planta humana é que nada a afasta da sua carreira para a morte. Será ela a obra-prima da Criação ou a pior de todas?”

(Aquilino Ribeiro, “A Casa Grande de Romarigães”, 1957)

A eclosão da floresta

“Do pinhão, que um pé-de-vento arrancou ao dormitório da pinha-mãe, e da bolota, que a ave deixou cair no solo, repetido o acto mil vezes, gerou-se a floresta, Acudiram os pássaros, os insectos, roedores de toda a ordem a povoá-la. No seu solo abrigado e gordo nasceram as ervas, cuja semente bóia nos céus ou espera à tez dos pousios em vez de germinar. De permeio desabrocharam cardos, que são a flor da amargura, e a abrótea, a diabelha, o esfondílio, flores humildes por isso mesmo troféus de vitória”

(Aquilino Ribeiro, “A Casa Grande de Romarigães”, 1957)

A Senhora do Amparo

“E, pois que assim era, enquanto não chegavam os hábeis alvenéis que ele próprio mandou vir de Marin e Cambados, trolhas do sítio demoliram a velha capela, que pouco mais era que um tosco humiladero. Lançada a primeira pedra com a pedra com a benção do arcipreste da Labruja, acolitada de todos os padres da terra de Coura, a obra não teve um só dia de quebranto, obedecendo rigorosamente à traça maravilhosa. Nossa Senhora do Amparo ocuparia, entre S. Pedro e S. Paulo, cada um em seu absidíolo, o lugar de honra, próprio da sua excelsitude. E seria o seu uma espécie de retábulo delicioso com as suas colunas historiadas e entablamento, que suspendiam ao alto duas figurinhas celestiais , a que só faltavam asas para serafins”

(Aquilino Ribeiro, “A Casa Grande de Romarigães”, 1957)

As Aves da Casa Grande

“Na primavera, a quinta tornava-se céu aberto. Regressavam de longe as aves migradoras, transmarinas, que consideravam a mata natal a sua cidade santa. Recreavam-se as corutas dos pinheiros com rolas e cucos, mestres de solta. Uma poupa todos os anos vinha fazer o ninho debaixo duma telha no estábulo das vacas. E ali estava ela a toda a hora: “Oupa! Oupa! Por vezes tomava-se de frenesim e as notas saíam-lhe em colcheia, guturais e atropeladas”

(Aquilino Ribeiro, “A Casa Grande de Romarigães”, 1957)

O Morgadio

“Com a assiduidade dos  ágapes, formou-se em volta de António Telmo uma espécie de Távola Redonda. Seriam afinal mais de doze pares e quanto a qualidade muito veio a rezar a história. António Telmo ia por feiras e romarias com a sua guarda pretoriana, e ditava a chuva e o bom tempo. Ele com o seu porrete, mais que bengala, menos que bastão de marechal, tão alto que lhe chegava ao peito, castão de prata atravessado por uma ataca de couro em cuja laçada passava o pulso, fazia as eleições, nomeava os regedores, empossava e desempossava as Câmaras da região”

(Aquilino Ribeiro, “A Casa Grande de Romarigães”, 1957)

A Quinta do Amparo

“No amparo, a terra era mais apta às plantas viris, os carvalhos, os pinheiros, os castanheiros que fabricavam o seu solo, estoirando a rocha e desagregando o folhado do xisto como se abrem as páginas dum livro”

(Aquilino Ribeiro, “A Casa Grande de Romarigães”, 1957)

A Fonte

“A fonte, perto do corgo, gorgolejava por uma bocarra, na sua carranca de Medusa, abundante e fresca água”

(Aquilino Ribeiro, “A Casa Grande de Romarigães”, 1957)

O Espigueiro

“Por isso mesmo Gonçalo da Cunha gizou um espigueiro, maravilha de quem o via, assente sobre pedra, todo em boas fasquias de castanho e caibradura de carvalho, bonito que nem um templo grego. Em vastidão não menos singular: vinte e sete metros de comprimento com a largura e altura da lei. Os aganões não entravam lá com duas razões. Podia chover, que também não embolerecia a espiga”

(Aquilino Ribeiro, “A Casa Grande de Romarigães”, 1957)

"Romance...? Se me saiu romance, aconteceu-me a mesma coisa que a um triste e tosco carpinteiro dos meus sítios, de quem toda a gente zombava, decerto por milagre desenfadado do Espírito Santo: estava a fazer um gamelo para o cão e saiu-lhe uma viola"

(Aquilino Ribeiro, introdução de “A Casa Grande de Romarigães”, 1957).